Minha retrospectiva 2021
Dezembro chegou e junto vem toda uma série de retrospectivas, nos jornais, canais de YouTube, Spotify e agora até mesmo o Instagram (com uma retrospectiva bem meia boca nos stories). Mas é comum fazermos nossa própria análise do que fizemos neste ano e do que passamos e essa análise pode vir acompanhada de sentimento de culpa, de que não fizemos o suficiente. Mas considerando que este ano (e o anterior) foram anos atípicos, chegar ao fim deste ano viva e minimamente sã, já é uma vitória. Dito isso, resolvi fazer a minha retrospectiva, olhar para este ano que passou, ver o que eu fiz, o que eu deixei de fazer, o que eu aprendi e o que eu quero melhorar. Olhar dentro de mim, com sinceridade.
Eu pensei em fazer isso de maneira cronológica, mas cheguei a conclusão que não é a melhor maneira, pois não consigo pensar e lembrar dos acontecimentos cronologicamente. Então, resolvi dividir por grandes temas, que serão: relacionamentos (família, amigos), saúde e cuidados pessoais, trabalho, estudo e lazer e cultura (não necessariamente nesta ordem). No geral, 2021 foi um ano muito difícil, uma continuação ruim de 2020 (sinto que foram dois anos que fiquei em standby, não sou eu, mas o mundo).
Esse ano, para mim, foi como uma grande montanha russa, em todos os aspectos da minha vida, uma grande montanha russa, cheia de loops, com mais baixos que altos.
No quesito trabalho, eu comecei a entender melhor a minha área, e não gostei nada do que descobri. Eu sou arquiteta e me formei no final de 2019 e comecei a trabalhar em janeiro de 2020. E já não começou muito bem. O salário base de um arquiteto, segundo a lei é de R$ 6.234,00, para uma jornada de 6 horas, e R$ 8.831,50, para uma jornada de 8 horas. A forma de contratação deveria ser por CLT ou ME, quando fosse PJ, sendo que neste último caso, o salário tem que ser 30% maior, para compensar. Mas o que acontece na real, é que a maior parte das vagas querem contratar por MEI, pagando no máximo R$ 3500,00, além de imporem jornadas de mais de 8 horas e horas extras não pagas. Além de toda pressão psicológica do trabalho e nenhuma garantia de direito, esse valor não cobre o custo de vida da metrópole paulista. De início, eu até que dei sorte, comparada a maior parte dos meus colegas, já que o lugar onde eu trabalhei me pagava uma base de R$5.500,00, além de todas as horas extras, mas em um contrato MEI (eles me contrataram como "desenhista", mas meu trabalho era de arquiteta mesmo). Eu fiquei lá até março deste ano, saí depois de finalizar oito projetos, pois queria ir para um lugar onde eu me sentisse parte do time e com direitos garantidos, mas descobri um mercado que só pensa em explorar o máximo. Durante o ano eu fui chamada para três entrevistas. Em todas elas, foi me oferecido um contrato MEI, mas com responsabilidades de CLT e salários abaixo de R$4.000,00, incluindo transporte e alimentação. Isso me deixou bastante desmotivada, afinal, todos querem reconhecimento e um salário digno, que cobre nossas necessidades e desejos.
Fiquei um tempo depressiva em relação a isso, mas comecei a pensar outras possibilidades, baseada na minha formação e no que eu gostava, além do que eu desejava de remuneração, afinal, vivemos em uma sociedade capitalista e dinheiro é importante. De início, eu pensei em cenografia e efeitos especiais, já que eu gosto muito de cinema e séries, assim como gosto de trabalhar com criação. Fiz um workshop, assisti vários vídeos, ouvi podcasts, procurei pessoas da área e cheguei a conclusão de que também não era pra mim. Por fim, fui pesquisar sobre UX/UI. Já tinha me chamado atenção antes que muitos colegas meus estavam migrando para esta área, então resolvi olhar com um pouco mais de atenção e me descobri nela. Ela contém tanto a parte criativa quanto a de pesquisa, que eu sempre amei na faculdade, e, além disso, está bem valorizada, o que atende a todos os meus requisitos pessoais. Tendo escolhido uma área para migrar, comecei a estudar, para me aprofundar, aprender mais e entrar na área. Assisti a várias palestras, fiz alguns workshops, além de dois cursos específicos. Ano que vem já consigo entrar na área. Resumindo, foi tudo uma grande estrada, cheia de altos e baixos, partindo de um certo conforto misturado a certo incômodo, para o desespero, para uma recuperação gradual.
Sobre estudo, foi um ano muito produtivo. Para pensar minha carreira no futuro e procurar diversas opções, eu estudei diversos temas e áreas, foi bem divertido. Eu gosto bastante de estudar e aprender coisas novas, principalmente na prática, espero me organizar melhor no ano que vem, para poder melhorar meus estudos. Esse ano também eu consegui passar no mestrado! Eu estava um pouco desanimada, mais com o apoio e incentivo da minha orientadora, eu consegui avançar e me dedicar, fiquei bem feliz com meu resultado e de ver que todo meu esforço foi recompensado.
Sobre a questão de saúde e cuidados pessoais, eu realmente me desleixei, em todos os quesitos. A única coisa que eu fiz sobre isso, foi me cuidar para não pegar Covid e tomas minhas vacinas, fora isso, não mantive nenhuma rotina de exercícios ou cuidados com a minha saúde. Tenho que prestar atenção nisso ano que vem.
Sobre relacionamentos, esse ano foi bem difícil. Pessoas que eu gostava muito se foram e eu senti que o mundo perdeu um pouco do brilho, pois eram pessoas que tinha um brilho próprio e uma vontade de viver que contagiava aqueles que tiveram o prazer de tê-las por perto. Eu agradeço por ter sido uma dessas pessoas.
Lazer e cultura esse ano se resumiu a muitos filmes e séries, já que a maior parte do ano eu evitei sair, mas teve alguns momentos em museus, cinemas e parque. Espero que ano que vem possa ter mais.
No geral, 2021 foi um ano muito difícil para mim, se não o mais difícil que já passei. Tive várias crises de ansiedade e me senti muito insegura com relação a tudo, mas também acho que aprendi muito sobre mim mesma, sobre o que eu quero. Espero que ano que vem seja mais tranquilo.
Feliz Natal!
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