Sobre expectativas e vida real
Escrever a tese está sendo muito difícil. Minha cabeça fica revezando entre como é importante o trabalho que eu estou fazendo, para a manutenção da história da minha cidade e para futuros pesquisadores, e em como isso não vai se traduzir em dinheiro ou trabalho (no fim das contas, vivemos em um sistema capitalista). Como eu sou uma pessoa que gosta de pensar racionalmente, estou tentando colocar em palavras meus sentimentos, para ver se consigo me equilibrar e tornar esse processo mais leve.
Por um lado, eu sei que este trabalho é importante. Não há muitos trabalhos sobre a cidade, e é importante levar essa história, e das pessoas que a construíram, para espaços como o da USP, onde a narrativa sempre partiu do centro e de pessoas que nunca moraram e conviveram com essas pessoas. É preciso provocar outras formas de pensar. Também sei que estou levando este trabalho, e este tema, para lugares nunca antes alcançados, e é preciso celebrar isso, e também ter a noção dessa importância (preciso manter isso em mente ao escrever o artigo para o evento no Reino Unido, principalmente considerando que as pessoas nunca ouviram falar dessa cidade). Eu tenho orgulho dessas conquistas e esperança de reacender o interesse pela história da minha região.
Por outro lado, não há um retorno financeiro ou mesmo de carreira, e a essa altura do campeonato, eu não queria estar morando com os meus pais ou estar me perguntando sobre meu futuro profissional. E ao ter que encarar essa situação, minha vontade é dedicar mais tempo ao planejamento desse futuro, do que a minha carreira acadêmica.
Acho que minha ansiedade está afetando a forma como eu estou encarando estas questões.
Comentários
Postar um comentário