Reflexões sobre amor (em tempos de cólera)
Nos últimos anos venho pensando muito sobre o que é o amor. A gente vive em uma sociedade que nos vende, desde sempre, que a felicidade se concentra em um relacionamento amoroso, principalmente se você for mulher. Eu nunca comprei muito essa ideia, mas vivendo em sociedade é impossível não ser impactada, de certa forma, por essa visão. Mas o relacionamento amoroso realmente é essa fonte de felicidade que nos é vendida? Quanto mais velha eu fico, mais eu penso que não. A quantidade de mulheres ao meu redor que passaram por algum relacionamento tóxico e/ou situações pesadas em um relacionamento com um homem é muito maior do que de homens que passam por relacionamentos tóxicos. Ainda sim, as pessoas ainda estranham uma mulher que quer ser independente e não quer seguir a cartilha dos relacionamentos amorosos tradicionais. Por que uma mulher independente incomoda tanto? Não tenho repostas, só questionamentos. Na minha cabeça, se pensarmos racionalmente, praticamente não há vantagens para as mulheres no relacionamento. Vamos listar: ter uma companhia? Muitas mulheres em relacionamentos reclamam de se sentir sozinhas ou deixadas de lado Ter sexo fácil? Muitos homens nem sabem o que é o clitóris e onde ele fica, e na maior parte das vezes não conseguem fazer sua parceira ter um orgasmo. Talvez a maior vantagem, considerando que estamos em uma sociedade capitalista é ter alguém para dividir as contas (já percebeu como tudo é mais caro para quem é solteiro? testa reservando uma viagem para uma pessoa ou um casal).
Não vou mentir, às vezes bate uma vontade de ter alguém, uma pessoa para ligar a qualquer momento, ou para ir passear em um lugar que você decidiu de última hora. Mas para mim não compensa o risco; porque além de toda a preocupação com seus sentimentos, nós mulheres ainda temos que nos preocupar com a crescente violência contra nós. E para mim, acaba ficando gravada uma frase que vi em um comentário de um post de uma rede social: sozinha eu me deito, viva eu me levanto. Mas quem sabe um dia eu não me arrisco, e descubro se um relacionamento é isso tudo que se vende nas histórias de amor e pelas pessoas apaixonadas (eu acho que não, mas quem sabe?)
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